Review - Blood Omen : Legacy of Kain (PS1/PC) (2022)

Quando foi lançado Blood Omen foi carinhosamente apelidado de "Zelda do inferno", mas em um bom sentido. O estilo de jogo é similar, mas a história é bem mais madura e os gráficos apresentam um nível de detalhes e violência bem elevados para a época.
Lançado em 1996 para o PS1 e depois convertido para o PC no ano seguinte acabou originando uma série composta de 5 jogos (e um DLC para Tomb Raider no PS3) com uma história ainda mais complexa explicando em detalhes o mundo.

A história

Kain é um nobre da distante Coorhagen que chega em um pub ao cair da noite. Os tempos estão difíceis com a decadência os pilares que sustentam o equilíbrio do mundo e a guerra trazida pela legião do Nemesis. Ainda há a praga dizimando as pessoas sem qualquer discernimento.
Sem qualquer motivo aparente, Kain é emboscado e morto quando o dono do pub se recusa a atendê-lo. No mundo inferior, o protetor do pilar da morte faz uma proposta interessante: Kain voltaria como um vampiro para caçar seus assassinos. Kain logo conhece o fantasma de Ariel, uma guardiã dos pilares em vida mas sua morte nas mãos de um traidor causou toda a queda dos guardiões e assim do mundo também.

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Porém as coisas não são o que parecem, é difícil saber em quem confiar em uma história tão cheia de conspirações e mentiras. Existem tantas reviravoltas que Kain logo se vê no meio de algo muito maior do que ele, com todos querendo usá-lo como um marionete ou mata-lo (em definitivo).
É uma história complexa com belos diálogos escritos, há sempre um detalhe que pode parecer inofensivo mas faz diferença mais para frente. A história é bem linear, não que faça grande diferença. Existem dois finais e é apenas uma decisão no final do jogo que muda.
Até mesmo os personagens menores tem uma história, basta ouvir as conversações mas isto depende do nível de interesse do jogador. Muita coisa não é necessária para terminar o jogo mas com certeza ajuda na imersão e para entender o que está acontecendo.

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O mundo, Nosgoth, é um personagem a parte. Nosgoth tem como uma característica primordial 9 pilares, localizados ao sul de Nachtholm Cove. Ninguém sabe como, quando e porquê surgiram, mas sabe-se que foram criados para manter o delicado equilíbrio natural. E cada um deles tem um significado diferente, e são protegidos por guardiões, chamados também de Circulo dos Nove e Guardiões da Esperança. Os pilares são: Balance, Mind, Dimension, Conflict, Nature, Energy, Time, States e Death. O estado dos guardiões refletem nos pilares, oque pode causar a ruína do mesmo. E quando Ariel, a guardiã de Balance, foi morta anos antes do começo do jogo. Ao encontrar o cadáver, o amante de Ariel, o guardião da mente Nupraptor lançou ondas psíquicas através do Circulo, e isto fez com que eles voltassem seus poderes a propósitos cruéis, envenenando a terra com sua feitiçaria e abandonando os Pilares e isto reflete na aparência do mundo. Quanto mais próximo de um guardião decadente, pior é o estado dos seus arredores.
Em outra parte de Nosgoth há uma guerra acontecendo entre a legião do Nemesis e o rei Ottmar de Willendorf, a última chance de Nosgoth de parar esta matança.

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Em termos de história, não há o que criticar, há muitos detalhes e histórias extras embora muito seja revelado nos jogos seguintes e não necessariamente em Blood Omen.

O Jogo

Como descrito antes segue um estilo "Zelda" com a câmera fixa em um angulo superior. No canto direito há um HUD que mostra o equipamento que Kain está usando, a barra de sangue (energia), a barra de magia e um relógio indicando o horário do dia.
O medidor de sangue pode ser aumentado com certos itens que estão espalhados pelo mundo e em algumas fontes de sangue que também servem para recuperar a energia. Outra maneira de recuperar energia é sugando o sangue dos inimigos ou de civis que estão espalhados pelo mundo (mas neste último caso após matá-los eles se tornam fantasmas e aparecem a noite). A barra de magia parecem com glifos que dá um toque bem diferente do tradicional mas funciona muito bem.
O relógio indica se é dia ou noite com o simbolo do sol ou da lua. Pode não parecer importante mas como Kain é um vampiro a luz do sol faz sua energia cair, assim como chuva e o cair da neve. Existem fontes de sangue que o deixam forte o suficiente para não ser afetado pelos elementos, mas isto é mais para frente no jogo. Existem também portas que só abrem em certas fases da lua e contém segredos como energia extra ou artefatos, nada de obrigatório para terminar o jogo.

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No melhor estilo "Zelda" de ser, o combate também é ação. Kain tem um grande arsenal de magias, 5 armas e 5 armaduras diferentes e vários itens voltados para combate. Cada equipamento tem uma habilidade única e cada um consegue ser ainda mais cruel que o anterior. Machados gêmeos, armadura que devolve parte do dano ao agressor, itens de arremesso que faz as tripas das pessoas sairem, com certeza faz jus a classificação "Mature". O problema é que o jogo peca na detecção de combate e nem sempre os golpes acertam mas pelo menos os inimigos também sofrem com o mesmo problema.
As dungeons são mais labirintos e tem quebra-cabeças simples como mudar de forma para pular sobre os espinhos, achar o botão para desativar armadilhas, exercícios de timing e estas coisas. Como o controle é um tanto "pesado" alguns são mais difíceis do que deveriam ser, mas com o tempo dá para acostumar.

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No geral Blood Omen tem uma dificuldade elevada. Os inimigos são fortes (principalmente os chefes) e os elementos do ambiente causam bastante dano. Não é incomum morrer por um deslize menor, mas nada que estrague (demais). O maior problema é que o jogo só pode ser salvo em save points e eles são meio raros, em geral um por dungeon. Existem magias e habilidades que fazem Kain voltar ao mausoléu inicial com um save logo do lado, mas mesmo assim as vezes não é o suficiente.

Gráficos

Os gráficos foram impressionantes para a época e eles resistiram bem ao teste do tempo. Kain tem muitas opções de armaduras e a aparência dele muda de acordo, ele é animado em várias direções e tem muitos detalhes. Existem 114 inimigos diferentes e mais de 160.000 telas individuais, tudo em gráficos pré-renderizados. Para um jogo do PS1 é um grande feito.

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A única parte que hoje em dia é meio ultrapassada são os vídeos, mas que na época eram muito bons. Eles são poucos, mas ajudam bastante a contar a história.

Som

É um dos pontos fortes do jogo. A música é estilo gótico, sombria e que deixa o jogador sempre atento mas ao mesmo tempo é agradável de se ouvir. Muitas trilhas são usadas mais de uma vez, mas isto não é um problema.
A melhor parte do jogo é sem dúvida as vozes. Kain é dublado por Simon Templeman, que tem formação em teatro shakesperiano. Kain fala o tempo inteiro, ele tem sempre um comentário sobre os lugares, algo para falar sobre os equipamentos ou alguém. O ego e a arrogância dele são personagens por si próprios, o que fazem dele um protagonista simplesmente memorável. Todos os personagens tem vozes igualmente competentes, principalmente Ariel e Morbius. A quantidade de vozes chega a ser absurda para um jogo desta geração.

Conclusão

Blood Omen é um jogo memorável, embora difícil. A história é uma das melhores a aparecer em qualquer console e a atuação é de ponta, um clássico indispensável.


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Author: Clemencia Bogisich Ret

Last Updated: 12/26/2022

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